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sábado, 4 de agosto de 2012

O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE



 
TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO

NOTA INTRODUTÓRIA


Assume cada vez maior pertinência, proporcionar aos agentes educativos (pais, encarregados de educação e educadores em geral) informação, sobre o modo como se processam as fases de desenvolvimento pelas quais passam crianças e jovens.
 

Conhecendo as suas características, poderemos atempadamente dar conta, se um determinado desiquílibrio, uma perturbação ou um medo até, perduram no tempo, e, desse modo, agirmos preventivamente.

A prevenção, é sempre necessária e urgente, independentemente da área a que nos reportamos, mas para prevenir é preciso à priori saber identificar sinais e sintomas e, se possível, evitar o seu surgimento; compreender a sua natureza é também um processo que requer conhecimento de nós próprios e dos outros.
 

Os textos elaborados, não pretendem constituir-se como um manual ou referencial teórico que sustente a acção educativa e pedagógica dos vários agentes educativos, já que cabe ao educador adoptar o modelo ou modelos teóricos que melhor se adaptem ao seu.

Tem antes o propósito, de, numa linguagem simples e sem especial relevância técnica, contribuir para o conhecimento das várias abordagens e modelos teóricos no que ao desenvolvimento diz respeito, para além de referenciar os aspectos mais significativos das etapas evolutivas do pré-escolar à adolescência.
 


Teorias do Desenvolvimento

Introdução

O desenvolvimento de uma criança já está determinado ao nascimento ou é moldado por experiências posteriores? Já vai longe o tempo em que se defendia a tese, de que “ao nascermos a mente é uma tábua rasa e todo o conhecimento é criado pela experiência”. Actualmente, entende-se o desenvolvimento, nos seus múltiplos aspectos, isto é: como produto da interação entre a natureza, os factores de aprendizagem e os factores genéticos e hereditários.

As informações biológicas para que o desenvolvimento humano se processe são herdadas e estão registados nos nossos genes. É assim que em cada indivíduo ocorre o crescimento; nascem os dentes, surge a linguagem e a locomoção e os hormônios actuam na puberdade. Entretanto, mesmo neste processo, há a necessidade da manutenção de cuidados básicos indispensáveis que incluem a higiene, alimentação, estimulação, afeto e muitos outros. Portanto, o nosso organismo nasce pronto a desenvolver-se, mas está dependente de factores ambientais para que essa evolucâo se processe convenientemente. 

Muitos aspectos comportamentais estão hoje directamente relacionados à influência genética, tais como a tendência à depressão, ansiedade e agressividade, assim como algumas características individuais, como por exemplo, os traços de personalidade.

Mesmo sendo inatas, estas características serão ou não acentuadas conforme o ambiente no qual o indivíduo se irá desenvolver e pelo estilo de cuidados prestados pelos pais. Se uma
criança nasce com tendência a ser agitada ou agressiva, terá o seu comportamento atenuado se conviver com pais tranqüilos, carinhosos e afetivos. Os factores de mudança, podem também influenciar significativamente o rumo do seu desenvolvimento, tais como a ida para o infantário, a entrada na escola, a mudança de cidade, a separação dos pais ou a morte de algum familiar.

Um exemplo desta interação é o que ocorre com a inteligência. Ela pode ser parcialmente determinada pela hereditariedade, mas o tipo de lar no qual a criança cresce, o grau em que é encorajada a seguir interesses intelectuais, as suas condições de saúde, a qualidade da estimulação e educação que recebe serão factores que terão efeitos sobre a sua expressão final.

Portanto, o futuro de uma criança começa a ser definido desde a sua fecundação pela herança genética legada pelos pais, mas também pelos cuidados e estímulos que vai receber durante o seu processo de desenvolvimento.


Teorias do desenvolvimento

Em relação ao desenvolvimento da criança e do adolescente existem inúmeras teorias, cada uma delas abordando aspectos diferentes, quer de ordem psicológica, quer de ordem biológica e comportamental. 

Uma das teorias mais conhecidas é a de
Jean Piaget. Nela são referenciados aspectos do pensamento e do comportamento das crianças, considerando a sua passagem por estágios definidos ou mudanças qualitativas de um tipo de pensamento ou comportamento para outro. Socorrendo-se da observação, Piaget verificou que todas as crianças pareciam vivenciar as mesmas espécies de descobertas sequenciais acerca do mundo, cometendo as mesmas espécies de erros e chegando às mesmas soluções. Trata-se de um processo activo onde a criança explora, manipula e examina os objetos e as pessoas no seu mundo.

Sigmund Freud
também contribuiu para a compreensão do processo de desenvolvimento da criança ao difundir a ideia de que o comportamento se deve, não apenas a processos conscientes, mas também aos processos inconscientes. O mais elementar dos processos inconscientes, segundo Freud, é uma pulsão sexual instintiva, denominada libido, presente no nascimento e que representa a força motivadora de todo o nosso comportamento. A idéia básica expressa por Freud era a de que, a resolução bem sucedida das várias fases da infância, seria essencial para o “normal” funcionamento do adulto.

Além de Freud, outro teórico psicanalista de grande influência sobre o estudo do desenvolvimento foi
Erik Erikson. Partilha com Freud de alguns pressupostos, embora existam diferenças teóricas fundamentais. Erikson não deu tanto ênfase à centralização do impulso sexual, focalizando em seu lugar o surgimento gradativo de um senso de identidade. O seu modelo de ciclo vital apresenta oito estágios, os quais incluem a idade adulta e a velhice. 

Margaret Mahler
, psicanalista, teorizou o nascimento psicológico do ser humano através do processo de "separação/individuação" do indivíduo. Segundo ela, o bebé evolui lenta e gradativamente de um processo de total simbiose com a mãe até adquirir a sua identidade individual. A fase de separação-individuação inicia-se por volta do quarto ou quinto mês de vida e fica completa por volta dos três anos de idade. 

Também o pediatra e psicanalista
D. W. Winnicott fez uma avaliação original do desenvolvimento infantil, introduzindo os conceitos de objectos e fenômenos transicionais para explicar o processo pelo qual a criança adquire consciência da sua existência como indivíduo. Aqui o importante não é o objecto que o bebé utiliza, mas o uso que o bebé faz dele. Segundo o próprio Winnicott, "o termo objeto transicional descreve a jornada do bebé desde o puramente subjectivo até à objectividade". 

Quando falamos das teorias sobre o desenvolvimento infantil, temos que admitir que elas são importantes porque nos ajudam a entender este processo. Elas representam esquemas, que buscam interpretar e organizar dados referentes ao desenvolvimento da criança, observando o seu crescimento e comportamento, bem como o seu relacionamento com o ambiente no qual se insere.


ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO

A maioria das teorias sobre o desenvolvimento é estruturada em estágios, apresentando a criança, em cada um deles, diferentes características.

Estágios de Freud

- Fase oral (do nascimento aos 12-18 meses): a criança recebe gratificação através da boca, língua e lábios. Nesta fase, sugar e morder adquirem especial importância.

- Fase anal (dos 12-18 meses aos 3 anos): ânus e áreas vizinhas são fonte de interesse e gratificação, principalmente no acto de defecar; nesta fase, é importante o treino do controlo dos esfíncteres. 

-
Fase fálica (dos 3 aos 5-6 anos): a gratificação é obtida através da estimulação genital. Nesta fase encontra-se o complexo de Édipo. É comum a masturbação e está presente a angústia de castração (temor de perda ou dano dos òrgãos genitais). 

- Fase de lactência
(dos 6 anos até o início da puberdade): período de relativa tranquilidade sexual entre os anos pré-escolares e a adolescência. As pulsões sexuais são desviadas para objectivos aceites socialmente (estudo, desporto). Formação da consciência e do senso moral e ético (conceitos sobre o certo e errado, o bem e o mal) no final do período.

-
Fase genital (da puberdade em diante): as mudanças hormonais dão origem à sexualidade adulta e a um novo tipo de relacionamento (intimidade) com o sexo oposto. 

Estágios de Piaget

- Sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): o bebê modifica-se, de uma criatura que responde principalmente através de reflexos, noutra que é capaz de organizar as suas atividades relativamente ao ambiente.

- Pré-operacional (dos 2 aos 7 anos): a criança começa a usar símbolos, (função simbólica) tais como palavras, imita o comportamento dos outros, mas é ainda ilógica nos seus processos de pensamento, dado o seu elevado egocentrismo.

- Operações concretas (dos 7 aos 11 anos): a criança começa a entender e a usar conceitos que a ajudam a interagir com o ambiente imediato.

- Operações formais
(dos 12 a 15 anos até a idade adulta): o indivíduo pode pensar em termos abstratos e a lidar com situações hipotéticas.


Fases 

Frequentemente os pais mostram-se ansiosos com os comportamentos dos filhos, normalmente dizemos que é apenas uma fase característica do seu próprio desenvolvimento e que tenderá a desaparecer para dar lugar a outra fase. Talvez não ajude muito quando os pais estão à beira de uma crise de nervos, ou porque o filho está com problemas de sono, ou não se alimenta convenientemente ou porque tem crises de agressividade; mas não deixa de ser uma verdade.

Em relação a estas fases, um primeiro ponto importante a ressaltar, é que, o reconhecimento destes períodos com características marcantes e comuns a todas as crianças de uma determinada idade, ajuda a evitar a frequente tendência dos pais em rotularem os filhos. Muitas das manifestações típicas da fase actual não estarão presentes nas etapas seguintes, justamente por serem transitórias.

Outro aspecto que precisa ser reconhecido, é que, as características destas fases sucedem-se de forma previsível em todas as crianças e cada uma delas deve ser adequadamente vivenciada para que o desenvolvimento ocorra dentro da “normalidade”. Este conhecimento permite um entendimento melhor dos padrões normais do desenvolvimento e os comportamentos esperados em determinada idade, bem como a identificação de eventuais problemas. O que se considera normal numa idade pode ser definitivamente anormal em etapas posteriores.

Os problemas podem ser identificados quando as características de uma determinada fase se mantêm presentes, interferindo significativamente nas etapas seguintes.
 

Podem surgir então os desajustes cognitivos, sociais ou emocionais, como por exemplo, a persistência do uso de objectos estimuladores da oralidade ou a dificuldade em abandonar o uso de fraldas nas crianças mais velhas.

A sequência entre as diferentes fases não é automática, já que depende do amadurecimento do sistema nervoso central e das experiências que a criança vivencia. Ela pode demorar mais em algumas delas ou avançar de forma mais rápida que a média noutras, dependendo das características individuais, do ambiente e da estimulação que lhe é proporcionada.

É natural portanto, que possamos relacionar determinadas atitudes ou características do desenvolvimento às etapas vivenciadas por uma criança.
 


As teorias sobre o desenvolvimento tendem assim a determinar estágios, sendo que, em cada um deles, a criança apresenta características que os diferenciam entre si, age e vê o mundo de outra forma, interage com as pessoas e o ambiente de maneira diferente e está preocupada com outro tipo de questões.

Referências: Cadernos de apontamentos da cadeira de Psicologia do Desenvolvimento (Instituto Superior de Psicologia Aplicada - Lisboa (1997).

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