Seguidores

sábado, 15 de março de 2014

Entrevista Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro




"Para mudar o mundo, os jovens precisam trocar
o mundo virtual pelo real"
 - Zygmunt Bauman
Esta semana (16), o Fronteiras do Pensamento divulgou uma fala de Edgar Morin em que o filósofo francês argumenta que estamos vivendo o fim do futuro. Para Morin, a sociedade percebeu a ambivalência da ciência, da razão, da técnica e da economia e perdeu a crença nestes enquanto guias da humanidade: "A crise do futuro, a crise do progresso. A perda do futuro é muito grave porque, quando se perde a esperança no futuro surge uma sensação de angústia e de neurose", afirma Morin. 
Universitat Oberta de CatalunyaA revista Época publicou, também esta semana (19), uma entrevista exclusiva com o filósofo polonês Zygmunt Bauman. Na conversa com o editor de cultura da Época, Luís Antônio Giron, Bauman, considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da civilização, fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos.
As instituições políticas perderam representatividade porque sofrem com um “deficit perpétuo de poder”. Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e patrocinar a cultura e as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre os líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. Leia a entrevista abaixo ou confira no site da Época. Ao final do texto, acrescentamos a entrevista exclusiva que Bauman concedeu a Fernando Schüler e Mário Mazzilli, na Inglaterra, para o Fronteiras do Pensamento.



Entrevista Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro"
por Luís Antônio Giron para Época (19/02/2014)

Época: De acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a fé em nós mesmos?
Zygmunt Bauman:
 
Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior), podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá.

Época: Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora? 
Zygmunt Bauman:
 
A decadência da política é causada e reforçada pela crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos desafios postulados pela contínua globalização de nossa interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da política que sofre o deficit perpétuo do poder. Daí a crise de confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação, apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva.

Época: As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma sociedade em rede?
Zygmunt Bauman: 
Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet.

Época: Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história?
Zygmunt Bauman: 
Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.

Época: Como o senhor vê a nova onda de protestos na Europa, no Oriente Médio, nos Estados Unidos e na América Latina, que aumentou nos últimos anos?Zygmunt Bauman: Se Marx e Engels escrevessem o Manifesto Comunista hoje, teriam de substituir a célebre frase inicial – “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo” – pela seguinte: “Um espectro ronda o planeta – o espectro da indignação”. Esse novo espectro comprova a novidade de nossa situação em relação ao ano de 1848, quando Marx e Engels publicaram o Manifesto. Faltam-nos precedentes históricos para aprender com os protestos de massa e seguir adiante. Ainda estamos tateando no escuro.

Universitat Oberta de CatalunyaÉpoca: O senhor afirma que as elites adotaram uma atitude de máximo de tolerância com o mínimo de seletividade. Qual a razão dessa atitude?
Zygmunt Bauman: Em relação ao domínio das escolhas culturais, a resposta é que não há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das ofertas culturais disponíveis. Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às ambições passadas, de empreender uma missão iluminadora da cultura. A elite deixou de ser o mecenas da cultura. Hoje, as elites medem sua superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo.

Época: Essa diluição dos valores explica por que artistas como Damian Hirst e Jeff Koons buscam mais fama do que reconhecimento artístico?Zygmunt Bauman: Prefiro não generalizar sobre esse tema. Os artistas, suas performances e produtos são hoje em dia muitos e diferentes, e os veredictos apressados são equivocados. Pessoalmente, detesto e me aborreço com os Damiens Hirsts, Jeff Koons e similares. Mas eles são ostensivamente sustentados pelas correntes e modas guiadas pelo mercado. Os mercados usurparam o mecenato das artes das igrejas e dos Estados. Por isso, o meio é realmente a mensagem da arte contemporânea.

Época: Como diz o crítico George Steiner, os produtos culturais hoje visam ao máximo impacto e à obsolescência instantânea. Há uma saída para salvar a arte como uma experiência humana importante?Zygmunt Bauman: Bem, esses produtos se comportam como o resto do mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos consumidores. Uma vez que a busca pelo lucro continua a ser o motor mais importante da economia, há pouca oportunidade para que os objetos de arte cessem de obedecer à sentença de Steiner...

Época: O senhor diz que a cultura se tornou dependente da moda. Por que isso ocorre?Zygmunt Bauman: Modas vêm e vão e são tão velhas quanto a cultura, tão antigas quanto o homo sapiens... O que a fez tão espetacularmente presente em nossa vida diária é o impacto combinado da comunicação digital em tempo real e da produção em massa com a associação entre butiques de alta-costura e grandes redes de lojas. As manifestações culturais e artísticas são arrastadas pelo motor da moda.

Época: A moda pode dar sentido à vida das pessoas?Zygmunt Bauman: A moda tem seus usos e uma demanda enorme e crescente. Ela fornece um modelo para a constante troca de identidades de nosso mundo. Funciona também como antídoto contra o horror de falhar num mundo em alta velocidade e contra o resultante abandono e degradação social. Não há nada de inútil na moda. Pelo contrário, é uma necessidade num mundo de flutuação e desorientação.

Época: Seus livros parecem pessimistas, talvez porque abram demais os olhos dos leitores. O senhor é pessimista? Ou busca a alegria de alguma forma, apesar de todos os problemas?Zygmunt Bauman: A meu ver, os otimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas podem estar certos... Mas acredito que essa classificação binária de atitudes não é exaustiva. Existe uma terceira categoria: pessoas com esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria. De outra forma, não veria sentido em falar e escrever...


Por Que Zebras Não Têm Úlceras

12/03/2014 - Por Que Zebras Não Têm Úlceras
 Neudelon Azevedo

Você sabia que zebras não tem úlceras? Já se fez esta pergunta? Provavelmente não, mas Robert Sapolsky, um neurocientista americano, após passar dez anos na África estudando a relação entre o impacto do estresse na morte dos neurônios em babuínos, escreveu o livro chamado “Por Que Zebras Não Tem Úlceras” e também "Memórias de um Primata". Geralmente, do meu jeito, uso a experiência relatada no livro de Robert Sapolsky para falar sobre o estresse e ansiedade usando o seguinte exemplo: Imaginemos um grupo de 100 zebras pastando calmamente na savana africana, quando de repente aparece seu predador natural, o leão, ou melhor, três leões, pois na maioria das vezes caçam em grupo e para ser mais preciso ainda, três leoas, pois nem sempre o rei da selva participa da caçada. Neste exemplo temos uma má e uma boa notícia para as zebras. A má notícia é que as leoas terão 100% de sucesso na caçada e a boa é que, diferente das donas de casa, leoa não estoca comida, assim apenas três zebras serão capturadas (nesta hora o leão e a prole entram em cena). As zebras sobreviventes fugiram para outro lugar e ai que se entende o motivo de não terem úlcera. Voltam a pastar tranquilamente, como se o leão não existisse. Não ficam preocupadas, não deixam uma zebra vigiando ou ficam imaginando maneiras de sobreviver ao próximo ataque, que convenhamos, pode nem acontecer, afinal quem garante que as leoas caçarão na área para onde fugiram? Se não decidiram variar o cardápio? Agora querem comer antílopes. E se as leoas realmente chegarem? Só neste momento as zebras poderão fazer alguma coisa. Fugir, negociar, vai que as leoas são mansas... Mas são atitudes que só funcionam depois que a leoa chega, antes, não tem nada que as zebras possam fazer a não ser comer sua grama calmamente, como se leoas não existissem. O que fazer no nosso dia a dia tão cheio de perigos e situações imprevistas? Seja mais superficial diz Robert Sapolsk: “Se você conseguir raciocinar científica e constantemente, conseguirá discernir se o que o está estressando é uma realidade, digamos, física ou apenas psicossocial. Se for física, pode se estressar. Se for psicossocial, esqueça. É simples e impossível”. Na vida existem muitas situações que podemos nos precaver. Contribuir para o INSS ou para uma previdência privada significa que um dia não teremos forças para trabalhar e garantir o próprio sustento, assim nos antecipamos e fazemos uma poupança para quando este dia chegar, mas existem muitas situações na vida que constituem perigos reais, mas que não temos o que fazer antecipadamente para resolvê-los, apenas nos resta esperar o leão chegar.
 

Transtorno de Pânico – Que Medo é Este?


Artigos
 
15/04/2013 - Transtorno de Pânico – Que Medo é Este?

“Sem motivo aparente comecei a suar excessivamente, o que me fez acreditar que as pessoas estavam me observando. Pensei que deveria estar muito mal, então o coração disparou e minha respiração foi ficando mais curta. Achei que estava piorando, que iria desmaiar, ter um ataque cardíaco ou mesmo morrer”.

Este é o relato mais comum que tenho ouvido de pessoas que sofrem do Transtorno de Pânico (TP).

 Outros sintomas podem estar presentes como: tremores finos nas mãos, dor ou desconforto no peito, náusea, medo de enlouquecer ou perder o controle, ondas de calor, etc.

Para o diagnóstico de TP é necessário a presença de alguns dos sintomas descritos acima, resultando em vários ataques por um período mínimo de um mês, em circunstâncias onde não há perigo objetivo, em situações não conhecidas ou previsíveis e sintomas ansiosos freqüentes.  Ataques de pânico em situações específicas produzem a fuga da situação. Como os ataques são imprevisíveis e em ambientes generalizados pode produzir medo de ficar em lugares público ou sozinho. Um ataque de pânico geralmente produz medo de outro ataque. Por causa do mal estar cardíaco é comum procurar os consultórios e clínicas cardiológicas. Não existe nenhuma relação comprovada entre TP e ataque cardíaco. Mesmo convencidos de que não tem nada no coração alguns pacientes continuam procurando as emergências por causa do mal estar causado e pelo medo de morrerem de um ataque cardíaco. A ansiedade generalizada, perfeccionismo, desejo de controlar e radicalismo com pensamento do tipo “tudo ou nada” são as características mais comuns que tenho encontrado nos pacientes de TP. Não existe uma teoria satisfatória e comprovada que explique as causas do TP. As mesmas podem ter origens tanto fisiológicas, como sociais. O tratamento que tem demonstrado maior eficiência é a combinação de medicação (que só pode ser indicada por um médico) e psicoterapia, em especial a Terapia Cognitiva Comportamental que tem apresentado bons resultados no tratamento de TP. Durante as sessões de Terapia Cognitiva Comportamental o paciente é treinado sobre como lidar com os ataques de pânicos, através de exercícios de relaxamento e respiração, treino de controle dos pensamentos antes, durante e após a ocorrência do Pânico, exercícios de enfrentamento gradual das situações que causam maior ansiedade, etc. O apoio e a compreensão da família é parte importante do tratamento. A maior parte dos pacientes responde bem a Terapia Cognitiva Comportamental, apresentando após as primeiras sessões uma diminuição da intensidade e um espaçamento na quantidade de episódios de pânico. A suspensão do tratamento tanto medicamentoso como psicoterápico antes que ocorra uma remissão dos sintomas pode levar a recaídas. Se você é parente de quem sofre de TP compreenda que trata-se de uma doença como qualquer outra e a pessoa não escolheu e nem pode evitá-la. Não é “frescura”, “fraqueza” ou “falta de serviço”. Dizer que a pessoa precisa enfrentar um “tanque de roupa suja” ou uma “pia com vasilhas sujas” e capinar quintal não cura TP. Tenha paciência e não entre em pânico diante de uma pessoa sofrendo de TP. Mantenha uma postura otimista. Incentive a busca por um tratamento. Acredite na possibilidade de melhora e principalmente, jamais obrigue uma pessoa durante um ataque de pânico permanecer em um ambiente que não deseja, isto poderá aumentar sua ansiedade e resistência a enfrentamentos futuros (os exercícios de enfrentamento devem ser orientados por um profissional com experiência em tratamento de TP respeitando as condições e limites do paciente). Infelizmente não existe cura para o TP e sim remissão dos sintomas possibilitando uma vida normal.
Neudelon Azevedo: Psicólogo Clínico Cognitivo Comportamental

O ato de falar







Do UOL, em São Paulo
O ato de falar exige uma ação mais sofisticada do cérebro do que se pensava, mostra um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, e publicado nesta quinta-feira (15) pela revista especializada Nature.
De acordo com o estudo, o processo neurológico que liga comandos motoros a sons, necessário para produzir a fala, ocorre nos dois lados do cérebro.
Anteriormente, também acreditava-se que o processo da fala envolvia conexões motoras e sonoras, porém pensava-se que essa interação sensorial ocorria apenas no hemisfério esquerdo do órgão, ligado ao processamento da linguagem.
Isso mudou após experimento realizado pelo pesquisador Bijan Pesaran e sua equipe, que usaram a técnica da eletrocorticografia para coletar dados neurológicos produzidos por um grupo de participantes.
A análise, feita com o uso de eletrodos plugados a ambos os hemisférios do cérebro dos participantes, mostrou que a interação sensorial-motora (na qual estímulos sensoriais são convertidos em comandos motores) ocorre nos dois lados do órgão.
Para os autores do estudo, a descoberta comprova que o processo faz parte de uma interface única —ligando tanto percepção de fala quanto sua produção— e não de apenas um sistema lateral.
 
Leia mais em: http://zip.net/bml5M3


quarta-feira, 5 de março de 2014




Viveu para vida, adorava os amigos e curtiu muito.
Rogo a Deus que esteja bem.
OH!   Mano amado, você viveu muito, foi feliz....Não passou em vão pelas nossas vidas e......se foi....deixando um imenso buraco ( que dói, dói )...preciso me acostumar com sua ausência.
Estou novamente mais sozinha....................
Rogo a Deus que você esteja bem e me curvo diante da vontade Divina.