sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Uma realidade nas escolas: Eu não sei escrever em letra cursiva
Pouco estimuladas nos colégios e atraídas pelo computador, cada vez mais crianças têm dificuldades na escrita corrida
Carina Rabelo
A letra ilegível era uma marca
registrada dos médicos e suas receitas indecifráveis. Hoje, rompeu as
fronteiras da profissão e se tornou quase uma tendência na sociedade da
pressa. A ilegibilidade é uma das consequências da substituição do
caderno pelo computador e da pouca ênfase que se dá ao ensino da letra
cursiva nas escolas. Em outros tempos, os cadernos de caligrafia
moldavam a escrita dos alunos. Até hoje, representam um importante rito
de passagem para crianças recém-alfabetizadas que conseguem ultrapassar a
barreira da letra de forma e se capacitam na cursiva - aos 6 anos, elas
já se dividem em grupos dos que dominam o mundo da "letra corrida" e
daqueles que ainda continuam nas "letras separadas". Mas o entusiasmo é
arrefecido com o passar dos anos. Elas precisam fazer pouco uso da
técnica, pois até as provas são de múltipla escolha - basta marcar um X
nas alternativas propostas e ir para casa sem gastar a caneta. Fora de
uso, a letra perdeu a uniformidade e a nova grafia mescla traços
cursivos com letras maiúsculas, comprometendo até mesmo os sinais de
acentuação, como o til (~), que virou um traço (-). Nem sempre a
legibilidade é mantida. E dá-lhe garranchos incompreensíveis.
O impacto da disgrafia - a escrita incompreensível - na vida das pessoas vai além do senso estético.
Quem sofre deste distúrbio pode ser tachado de desleixado ou
problemático. E não ser compreendido na sociedade da informação é um
fardo que poucos podem carregar. A solução? Recorrer aos textos digitais
do e-mail e mensagens instantâneas, como MSN e SMS. "A tecnologia pode
ser a aliada e a vilã da história", afirma Marco Arruda, neurologista da
infância e da adolescência e diretor do Instituto Glia de Cognição e
Desenvolvimento. O excesso de informação, a falta de tempo e o
conforto da internet contribuem para a deformidade da letra, que se
torna dispensável e, quando utilizada, apressada e incompreensível. "Escrevo
muito rápido. Não dá tempo de enfeitar", afirma Lucas Dias Oliveira, 12
anos, que foi reprovado no ano passado porque os professores não
conseguiram corrigir a sua prova. "Não entendi nada", assinou a
professora na avaliação. "Ele é extremamente inteligente e rápido.
Tem uma velocidade incrível no teclado", afirma a sua avó, Marialva Dias.
"Mas a letra é um garrancho." Os
esforços de Marialva, que comprou dezenas de cadernos de caligrafia e
livros para o neto, não foram suficientes para que o menino deixasse o
computador e melhorasse a grafia. "Ele é agoniado, ansioso e necessita
de acompanhamento psicológico para melhorar a letra", afirma.
"Elas precisam participar das atividades
domésticas que exijam alguma habilidade manual", afirma. Para o
neurologista Marco Arruda, a escrita está mais relacionada com as
funções do cérebro do que com a tonicidade dos músculos e ele alerta que
a escrita ilegível pode ser um sinal de enfermidade ou transtorno
psicológico, como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade.
"É preciso treinamento da letra com
sessões de reabilitação", afirma. O neurologista lembra que brincadeiras
fora de moda com bolas de gude e palitinhos, além das aulas de
caligrafia, favoreciam o desenvolvimento psicomotor da criança, que não
tem os mesmos estímulos nos jogos eletrônicos de hoje.
Não são apenas as crianças as vítimas da
disgrafia. A pesquisadora Luciana Moherdaui, 38 anos, especialista em
novas mídias e interfaces digitais, trocou os cadernos pelo computador
desde que saiu da faculdade. "A minha letra era legível, mas, depois que
passei a usar diariamente a rede, perdi a capacidade de escrever",
afirma Luciana, que explica ter o raciocínio igual ao Word - 'escreve,
erra, apaga e refaz' - impossível no texto à mão. Quando vai a uma
palestra em que não pode levar o seu laptop, a pesquisadora também não
leva o bloco de anotações. "Decoro tudo", diz. "Não entendo a minha
letra." Como especialista no tema, Luciana acredita que o futuro do
aprendizado caminha em direção às novas tecnologias. "A tendência é que
os meninos troquem os cadernos pelos mininotebooks." Apesar da
alternativa da tecnologia, ter letra legível (e bonita) ainda é
importante. "Já zerei provas no vestibular porque estavam incompreensíveis",
afirma José Ruy Lozano, corretor de redações dos principais processos
seletivos de São Paulo e professor de redação do ensino médio do Colégio
Santo Américo. Vale lembrar que as redações de vestibular também podem
ser escritas em letras de forma. Mas a cursiva ainda conta pontos, por
exemplo, em processos de seleção de emprego.
O ato de escrever teve os seus altos e
baixos na história. Sócrates e Platão (séc. V a.C.) eram contra a
escrita e defendiam a oralidade. Na Idade Média, ela ganhou visibilidade
e subiu ao altar com os monges copistas, que registravam a cultura e as
descobertas históricas em pergaminhos, para imortalizá-las ao longo dos
séculos.
"Ela passou a ser a escrita própria dos
textos cristãos, em oposição aos caracteres romanos dos textos pagãos",
afirma o grafólogo Paulo Sérgio de Camargo, autor do livro "Sua Escrita,
Sua Personalidade" (Editora Ágora).
"As escolas não se preocupam mais com a
letra", afirma o neurologista Arruda. "Os cadernos de caligrafia caíram
em desuso." Resta saber se as belas letras trabalhadas em rococós se
tornarão um raro tesouro, que sobrevive apenas nos convites de formatura
ou casamento.
O ato de escrever a mão é um exercício para o cérebro
Por Ana Lúcia Hennemann - out/2012
A
tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano. A maioria de
nossos textos são produzidos via teclado, isso é bom ou é ruim? No
Brasil já existem escolas que disponibilizam laptops aos alunos; mas, de
acordo com a neurocientista Karin Harman...
Apesar de grande debate, Harman testemunhou a favor da
inclusão da escrita cursiva nos currículos de todas as escolas públicas. Para a realização da pesquisa, as
crianças escreviam cartas à mão e depois submetiam-se a uma ressonância magnética.
Nestas, a atividade neural no cérebro mostrava-se
mais avançada do que aquelas que digitavam no teclado. “A caligrafia envolve
circuitos cerebrais diferentes do que a digitação. O contato de direção, e a pressão
da caneta ou lápis envia uma mensagem para o cérebro. E o processo repetitivo
da caligrafia "integra vias motoras no cérebro", disse ela.
Também, em pesquisa feita com universitários,
comprovou-se que aqueles que escreviam suas anotações a mão, lembravam-se com
mais facilidade do conteúdo do que os que faziam o registro em materiais
tecnológicos.
Segundo a neurocientista o ato de digitar não tem o mesmo
efeito que o ato da escrita. Pois conforme suas pesquisas: - a caligrafia pode
mudar a forma como as crianças aprendem e desenvolvem seus cérebros. Sendo que
as crianças pesquisadas conseguiram elaborar frases mais completas e criativas
utilizando-se da escrita, do que as que utilizaram o teclado.
No entanto, os cientistas ainda não determinaram os
benefícios do ensino ou não da letra cursiva, pois o que ficou comprovado é a
questão da escrita no papel ao invés da escrita digitalizada. A escrita é um
fator importante na promoção do desenvolvimento do cérebro e cognição, em
aperfeiçoar as habilidades motoras finas, e em gerar, desenvolver e expressar ideias
mais rapidamente.
Para aqueles que acham que ter letra legível é apenas uma
questão de treino de caligrafia, enganam-se. Pois se faz necessário todo um
trabalho de psicomotricidade começando pela motricidade ampla (“do corpo para
o braço”) até chegar à motricidade fina (“do braço para o movimento dos dedos”)
Seguem então, algumas sugestões...
Fonte:
domingo, 4 de novembro de 2012
EU DEFENDO OS INDEFESOS, ANIMAIS, CRIANÇAS E IDOSOS. E VOCÊ?
Declaração Universal dos Direitos dos Animais
Art.1o – Todos os animais nascem iguais diante da vida e tem o mesmo direito à existência.
Art.2o – Cada animal tem direito ao respeito. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando este direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais. Cada animal tem o direito à consideração, à cura e à proteção do homem.
Art.3o – Nenhum animal será submetido a maus tratos e atos cruéis. Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.
Art.4o – Cada animal que pertence a uma espécie selvagem, tem o direito de viver no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se. A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a esse direito.
Art.5o – Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie. Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.
Art.6o – Cada animal que o homem escolher para companheiro, tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural. O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Art.7o – Cada animal que trabalha tem direito a uma razoável limitação de tempo e intensidade de trabalho e a uma alimentação adequada e ao repouso.
Art.8o – A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos dos animais, quer sejam uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra. As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Art.9o – No caso de o animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e morto, sem que para ele resulte em ansiedade e dor.
Art.10o – Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Art.11o – O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, delito contra a vida.
Art.12o – Cada ato que leva à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, delito contra a espécie.
Art.13o – O animal morto deve ser tratado com respeito. As cenas de violência em que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar um atentado aos direitos dos animais.
Art.14o – As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas em nível de governo. Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos humanos.
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